InfluĂȘncia das modalidades desportivas que no desenvolvimento social e humano

 Ăndice



CapĂ­tulo I-
Introdução
. 4



CapĂ­tulo
II - Fundamentação teórica
. 5



2.1
O desporto como função social
5



2.1.1
O desporto e a mudança social
6



2.1.2
O desporto e a mudança social na pråtica
. 7



2.2
DimensĂŁo humano e Social da Actividade FĂ­sica
. 8



2.3
Desenvolvimento Pessoal e Social em Desporto
. 10



2.4
O Desporto enquanto espaço de socialização
. 11



2.5
As RelaçÔes que se Estabelecem entre o Desporto e outro Fenómenos Sociais
. 11



CapĂ­tulo
IV – ConclusĂ”es
. 13



ReferĂȘncias
bibliogrĂĄficas
. 14





 



Capítulo I- Introdução



O presente trabalho consistiu, basicamente em
responder ao tema colocado pelo docente da cadeira, como forma de avalição.



As atividades fĂ­sicas em geral e o desporto em
particular, encerram um elevado potencial para influenciar significativamente o
desenvolvimento pessoal dos jovens, contribuindo para a sua formação como
pessoas. O treino desportivo e a competição, em concreto no desporto para
jovens, devem assumir uma dimensĂŁo educativa, devendo ser concebidos como
projetos de desenvolvimento pessoal e social (Rosado, 1998).



Neste quadro de referĂȘncia, as atividades fĂ­sicas e o
desporto podem constituir-se como um importante contexto facilitador de
abordagens orientadas para a promoção do bem-estar psicossocial, do
desenvolvimento sĂłcioafetivo e moral dos jovens e das suas competĂȘncias
interpessoais (Rosado & Mesquita, 2011).



A componente de formação pessoal e social, moral e
cívica, englobando a internalização de valores ético-desportivos e morais, mais
gerais, num contexto de desenvolvimento e a aquisição de competĂȘncias de vida,
são conceitos fundamentais a que a Educação Física e o Desporto não podem ficar
alheios (Rosado, 1998).



Neste contexto, entende-se por competĂȘncias de vida,
as estratégias que possibilitam ao indivíduo a inserção responsåvel e
satisfatĂłria na comunidade (Cunha, 1993). Resulta deste entendimento que a
formação pessoal e social é um imperativo formativo que importa sublinhar
também no desporto (Rosado, 1998).



A este propósito, importa salientar que a educação
desportiva envolve consideraçÔes éticas e morais, preocupação com o bem-estar
próprio e dos outros e assunção de responsabilidades pessoais e sociais, num
quadro de preocupaçÔes éticas e humanistas (Hellison, 1973).




Capítulo II - Fundamentação teórica



2.1 O desporto como função social



Com o propĂłsito de analisar o papel que o desporto tem
numa sociedade torna-se imprescindĂ­vel compreender o papel do jogo e a maneria
como este consegue influenciar milhÔes de pessoas. De acordo com Huizinga
(2000, pĂĄg.24), o “jogo Ă© uma atividade ou uma ocupação voluntĂĄria, praticada
dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras
livremente aceites, mas absolutamente obrigatĂłrias, dotado de um fim em si
mesmo, acompanhado de um sentimento de tensĂŁo, alegria e de uma consciĂȘncia de
ser diferente da «vida quotidiana»."



Huizinga (2000) explora o conceito de jogo como uma
atividade de grande prazer lĂșdico em que as pessoas conseguem, de facto,
abstrair-se de todos os problemas do quotidiano e entregarem-se ao jogo, por
vezes de uma forma séria, retirando do mesmo uma grande satisfação pessoal,
pois é através do jogo que as pessoas expressam o que sentem, o que o torna
muito importante para a nossa vida.



Todo este entusiamo e satisfação, mesmo a “fingir”,
nĂŁo deixa de tirar valor e importĂąncia para as pessoas, porque funciona como
uma “fuga” da realidade. O facto de as pessoas procurarem a superação e a
vitória, aumenta ainda mais a motivação de querer jogar, em que a tensão sobe e
o prazer de querer vencer aumenta mais ainda, isto Ă©, “O jogo lança sobre nĂłs
um feitiço: é "fascinante", "cativante". Estå cheio das
duas qualidades mais nobres que somos capazes de ver nas coisas: o ritmo e a
harmonia” (Huizinga, 2000, pĂĄg. 12).



Huizinga (2000) reforça a ideia que o jogo jå existe
antes da prĂłpria cultura, tornando-o num fenĂłmeno universal, nĂŁo sĂł para os
seres humanos como também para os animais, uma vez que estes não esperaram que
os homens os ensinassem a brincar. Torna-se assim parte integrante de uma
tradição e da cultura de uma sociedade, pois as pessoas ao jogarem tornam-se
livres, melhoram a criatividade, o fortalecimento do espĂ­rito e do corpo,
podendo, ainda, ser jogado ao longo da vida sem que a idade interfira.

Desporto



Huizinga (2000) indica que o aspeto lĂșdico do jogo
estĂĄ presente em todos os processos culturais da vida social e que o espĂ­rito
competitivo, sendo mais antigo que a cultura, molda tudo Ă  nossa volta. Como
exemplo temos o ritual que advém do jogo sagrado; a poesia que nasceu do jogo;
a mĂșsica e a dança eram jogo puro; o saber e a filosofia eram originĂĄrias de
competiçÔes religiosas, assim como as regras da guerra eram baseadas em modelos
de jogo. Consegue-se, desta forma, afirmar que a cultura estĂĄ enraizada no jogo
desde as suas fases primitivas.



Os jogos lĂșdicos assumem, tambĂ©m, uma importante
função social ao nível da aprendizagem na educação e formação. De acordo com
Santos (2010, pĂĄg.3), “Os jogos lĂșdicos oferecem, aos alunos, diversas
situaçÔes/problemas, a partir do desenvolvimento de jogos planeados e livres
que permitam Ă  criança uma vivĂȘncia no que diz respeito Ă s experiĂȘncias com a
lĂłgica e o raciocĂ­nio, permitindo atividades fĂ­sicas e mentais que favorecem a
sociabilidade e estimulando as reaçÔes afetivas, cognitivas, sociais, morais,
culturais e linguĂ­sticas.”



 A atividade
lĂșdica, seja para animais ou para seres humanos, compreende sempre um sistema
de regras que nĂŁo podem ser desrespeitados. Todos os jogos sĂŁo dotados de
regras que se forem desobedecidas, “implica o fim do mundo do jogo. O jogo
acaba: O apito do ĂĄrbitro quebra o feitiço e a vida "real" recomeça”
(Huizinga, 2000, pĂĄg. 12).



 



2.1.1
O desporto e a mudança social



ApĂłs percebermos qual o papel do jogo e como ele
influĂȘncia a cultura e a sociedade em que estamos inseridos, Ă© essencial olhar
para o desporto como um fator de mudança social.



O desporto faz parte do nosso dia-a-dia e assume-se
como um dos fenĂłmenos mais importantes da sociedade contemporĂąnea. Para isso,
basta observarmos o impacto que o desporto tem vindo a ter nos cidadĂŁos e o
tempo que é despendido pelos meios de comunicação social a divulgar informaçÔes
sobre o tema; os vårios eventos organizados por diversas instituiçÔes, em todo
o mundo, sobre o desporto na sua generalidade e as dinĂąmicas sociais e
culturais implicadas. Pode-se entĂŁo afirmar que o desporto consegue de facto
afetar diversos nĂ­veis: pessoais, comunitĂĄrios, sociais, culturais, econĂłmicos,
polĂ­ticos e diplomĂĄticos (Neto, s.d.).



Segundo a ComissĂŁo Europeia, no Livro Branco sobre o
desporto da ComissĂŁo das comunidades Europeias de 2007, “O desporto atrai os
cidadĂŁos europeus: a maioria deles participa regularmente em atividades
desportivas. Gera valores importantes, como o espĂ­rito de equipa, a
solidariedade, a tolerùncia e a competição leal (fair play), contribuindo assim
para o desenvolvimento e a realização pessoais. Promove a contribuição ativa
dos cidadĂŁos comunitĂĄrios para a sociedade e, consequentemente, a cidadania
ativa. A ComissĂŁo reconhece o papel essencial do desporto na sociedade
europeia, em particular quando esta precisa de se aproximar mais dos cidadĂŁos e
de lidar com as questĂ”es que a eles dizem diretamente respeito” (ComissĂŁo,
2007, pĂĄg. 6).



“O
desporto contribui de forma importante para a coesĂŁo econĂłmica e social e para
uma maior integração na sociedade. Todos os residentes devem ter acesso ao
desporto. Por conseguinte, hå que ter em conta as necessidades e a situação
especĂ­ficas dos grupos sub-representados e o papel especial que o desporto pode
representar para os jovens, as pessoas com deficiĂȘncia e os mais desfavorecidos.
O desporto pode igualmente facilitar a integração na sociedade dos migrantes e
das pessoas de origem estrangeira e promover o diĂĄlogo intercultural”
(ComissĂŁo, 2007, pĂĄg. 14).



De acordo com a ComissĂŁo Europeia (2007), o desporto
estimula a ideia comum de pertença e de participação, uma vez que pode também
constituir uma ferramenta importante para a integração dos imigrantes. Neste
sentido, é importante criar espaços para a pråtica de desporto e apoiar as
atividades desportivas, de modo a permitir aos imigrantes um melhor acolhimento
na sociedade.



 



Nesse sentido, as NaçÔes Unidas declararam, em 2005, o
ano do desporto, afirmando que o mesmo desempenha um papel fundamental na
melhoria da vida das pessoas e que deve ser incluĂ­do de uma forma mais sistemĂĄtica
em todas as comunidades e sociedades (Coalter, 2006).



“O
desporto Ă©, assim, considerado como um condutor mundialmente reconhecido de
aproximação de populaçÔes e comunidades. Constitui-se como um código de
comunicação tão espontùneo como eficaz, potencialmente mobilizador do
desenvolvimento da afetividade, expressividade, disciplina, criação de valores
Ă©ticos e estĂ©ticos, hĂĄbitos de higiene, entre outros” (Lima, 2011, pĂĄg. 30).



 



Lima (2011), reforça a ideia que a valorização do
papel do desporto como exercício físico, mas também como forma de prevenção de
futuras doenças, é essencial para o processo de inserção social.



 



2.1.2
O desporto e a mudança social na pråtica



O desporto em geral tem uma particularidade de
mobilizar massas e mover multidÔes, em que lhes é incutido um espírito de
pertença a uma comunidade porque as pessoas vivem o desporto como algo Ășnico
(Neto, s.d.). Um excelente exemplo interno Ă© o caso do Europeu que Portugal
organizou em 2004 em que o selecionador nacional, LuĂ­s Filipe Scolari, pediu a
toda a população portuguesa para colocar as bandeiras nas janelas em sinal
claro de apoio à seleção nacional de futebol. Este apelo reivindicou a união
outrora esquecida pelos portugueses e, ainda nos dias de hoje, essa tradição
ainda Ă© visĂ­vel (Amnistia Internacional, 2008).



A organização Sports Witlhout Borders, realizou, em
2009, um projeto denominado, The AFL Peace Team, que tinha como objetivo
construir relaçÔes entre as comunidades palestinianas e judaicas através da
criação de uma equipa palestino-israelense, de forma a competir na
Internacional Cup AFL. Esta iniciativa fez com que atletas israelitas e
palestinianos convivessem uns com os outros, pondo de lado o conflito de
décadas entre as duas cidades promovendo o espírito de companheirismo e
solidariedade, ao longo de todo o torneio.



Outro exemplo de como o desporto pode ser visto como
uma ferramenta de mudança social poderosa, foi a exposição fotogråfica que a
UEFA albergou em 2010, durante a oitava edição do Campeonato do Mundo de Futebol
de Rua dos Sem-Abrigo, que decorreu no Rio de Janeiro. De acordo com uma
notĂ­cia publicada no site da UEFA (organizadora do evento), estas fotografias
mostraram como o desporto (neste caso o futebol), pode ser usado como
catalisador de questÔes sociais, como é o caso dos sem-abrigo. A exposição
fotogråfica, teve como missão contar histórias, através das fotografias, sobre
como o desporto pode ajudar a alterar a vida de uma criança, de um adulto, de
uma família e até mesmo de uma comunidade.



 



2.2 DimensĂŁo humano e Social da
Actividade FĂ­sica



A partir do século XX, o Desporto passou a ser
definido como uma instituição poderosa e dinùmica, de grande importùncia na
sociedade.desporto



O desporto ao qual actualmente assistimos, foi
influenciado pela tecnologia industrial e cientĂ­fica, principalmente a partir
de meados do século XX, diferenciando-se em diversas modalidades desportivas
(dada a importùncia económica de cada uma) e havendo a especialização de
praticantes em modalidades distintas. Começou a evidenciar-se, também, o
significado de “competição”, “rendimento” e “produção de resultados”, devido ao
aumento do nĂșmero de desportistas. Os meios de comunicação tambĂ©m tiveram
grande influĂȘncia na evolução do “mundo desportivo” e da função social do
desporto.



No inĂ­cio, na prĂĄtica desportiva, valorizava-se,
principalmente, a força e a potĂȘncia, seguidamente, o rendimento e a produção
de resultados, e finalmente, a destreza atlética. Tudo isto se relaciona com o
desporto Ă  escala mundial e o “espectĂĄculo desportivo”, tĂŁo admirado, cada vez
mais, pelo pĂșblico.



O desporto, durante o século XX, sofreu,
efectivamente, uma grande transformação, passando:



·        
A diversificar-se e a
especializar-se os conhecimentos acerca da realidade desportiva;



·        
De um espaço desportivo
natural a um espaço desportivo com as seguintes características: formalismo
(regulamentos), artificialismo e abstracção;



·        
De locais informais, onde
ocorria a prĂĄtica de exercĂ­cio fĂ­sico, a ginĂĄsios;



·        
De movimentos,
utensĂ­lios, equipamentos e dispositivos utilizados simples e ligados a
actividades e a objectos quotidianos, Ă  conquista, pela biomecĂąnica, dos gestos
técnicos;



·        
De espaços “gerais”
subordinados à pråtica de exercício físico a espaços particulares, cada um
específico a diferentes técnicas, pråticas e resultados (diferentes
modalidades);



·        
De uma anĂĄlise de
conceitos de “mecĂąnica corporal” a uma visĂŁo em termos de “facto
bio-socio-cultural”;



·        
De prĂĄtica local e
regional a facto mundial;



·        
De facto estritamente
desportivo a facto cultural e social;



·        
De espaço de lazer e
saĂșde a factor de coesĂŁo social e consolidação da cidadania;



·        
De abordado de modo
amador e empírico, no início do século XX, a domínio autónomo do conhecimento
científico e tecnológico no final do mesmo, exigindo uma crescente profissionalização
e especialização;



·        
De privilégio de alguns a
necessidade e direito de todos (direito reinvindicado, institucionalizado, e
vertido nas constituiçÔes e nas leis das naçÔes);



·        
De divertimento restrito
a uma elite a pråtica generalizada para todos, sem discriminação de género,
idade, proveniĂȘncia geogrĂĄfica ou incapacidade funcional;



·        
De oportunidade para a
participação das comunidades a factor de identidade.



Também com a evolução da tecnologia dos meios de
comunicação, as vias de acesso e os percursos das deslocaçÔes dos espectadores
até aos recintos desportivos sofreram melhorias, ocorrendo assim,
principalmente a partir da segunda metade do século XX, transformaçÔes
significativas no desporto, manifestando-se isto nos eventos desportivos. Estes
passaram a reunir a atenção de milhares de espectadores e dos meios de
comunicação social, a produzir um enorme fenómeno comercial (transacçÔes de
milhÔes de euros) e a provocar a invenção e a construção de novos materiais e
utensĂ­lios, originando uma grande indĂșstria de equipamentos desportivos, gerida
por empresas multinacionais.



O processo de socialização do Homem passa pelo
Desporto e pela Educação Física, verificando-se que as actividades desportivas
estĂŁo relacionadas com o desenvolvimento social, pois a prĂĄtica do desporto Ă©
um grande fenĂłmeno de coesĂŁo social.



 



2.3 Desenvolvimento Pessoal e Social
em Desporto



A formação pessoal e social é um projeto que visa a
educação integral dos cidadĂŁos perspetivando a aquisição de competĂȘncias gerais
de modo a capacitar o indivíduo para os diferentes papéis que a vida lhe
reserva (Cunha, 1993; Gould, Collins, Lauer, & Chung, 2006).



Entendendo por objetivos da formação pessoal e social,
a educação para as relaçÔes interpessoais e a educação para a relação consigo
próprio, a reflexão sobre a formação pessoal e social deve contribuir para a
formação de cidadãos livres, responsåveis, autónomos e solidårios, capazes de
intervir com espĂ­rito crĂ­tico e criativo no meio social (Carita, et al., 1993;
Damon, 2004).



Neste contexto, o ùmbito dessa intervenção deve estar
alicerçado em diversas componentes da dimensão educativa, como, por exemplo, a
educação familiar, sexual, para a saĂșde, para a participação social, ambiental
e desportiva, etc.



A extensĂŁo desta ĂĄrea ao contexto educativo transfere
para a Escola e para o Clube, a responsabilidade de prestar especial atenção
aos problemas da vida e desenvolver nos alunos e atletas a capacidade de agir
face aos desafios que esta lhe coloca.



Apesar de todas as ĂĄreas do currĂ­culo escolar
partilharem objetivos de formação pessoal e social dos alunos, muitas vezes, o
seu contributo pode nĂŁo ser o desejĂĄvel. Nessa medida, importa acrescentar
novas oportunidades educativas Ă s que vĂȘm sendo proporcionadas conduzindo Ă 
formação de valores, crenças, atitudes e håbitos pråticos de relação e de
cooperação que forneçam maturidade cívica e sócio-afetiva aos indivíduos
(Cunha, 1993).



O sistema desportivo deve ter, também, um papel
decisivo no desenvolvimento pessoal e social dos jovens, no desenvolvimento de
competĂȘncias para a vida, na educação moral e no desenvolvimento do carĂĄter
(Gould, et al., 2006; Rosado, 1998), enfatizando as possibilidades de educação
que a prĂĄtica do desporto possibilita no desenvolvimento dos jovens (Wright
& Li, 2009).



O sistema desportivo, em particular no desporto de
crianças e jovens, deve, deste modo, assumir-se como um instrumento ao serviço
dessa dimensĂŁo do desenvolvimento humano e aos jovens devem ser facilitados
processos de desenvolvimento pessoal nas diferentes etapas e espaços do seu
desenvolvimento (Rosado & Mesquita, 2011).


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