Soraia
Quarenta, advogada e secretária-relatora do Conselho de Disciplina da
Associação de Futebol de Lisboa, analisou a situação do Benfica e o processo em
curso que envolve o clube da Luz e abordou as implicações legais das acusações
do Ministério Público e a necessidade de cuidado nos julgamentos da opinião
pública, lembrando que a justiça deve seguir seu devido processo.
Em
declarações ao jornal A Bola, a advogada destaca que a fase atual do processo é
apenas o início de um processo penal mais amplo. “Aquilo a que assistimos foi
apenas o culminar da primeira fase de qualquer processo penal, que é geralmente
composto por três fases,” começou por explicar. Após o encerramento da fase de
inquérito, o Ministério Público apresenta uma acusação, mas também pode optar
pelo arquivamento se não houver indícios suficientes. Isso é crucial para
entender que a acusação, embora séria, não implica uma condenação imediata.
Com
a fase de inquérito agora concluída e o processo tornado público, os arguidos
terão a oportunidade de se defender: “Os arguidos vão ter agora a possibilidade
de, querendo, passar à abertura da Instrução ou seguir para julgamento”,
atirou. Essa fase de instrução permite que os acusados apresentem provas de sua
inocência, e é o juiz quem decidirá se os argumentos apresentados justificam
levar o caso a julgamento. Isso traz um elemento de esperança para aqueles que
acreditam na inocência dos arguidos, pois a triagem pode resultar em
arquivamento se as provas não forem contundentes.
Sobre
a possibilidade de sanções severas, como a suspensão do Benfica, Soraia
Quarenta enfatizou que tal exigiria provas robustas de corrupção ou tráfico de
influência: “Teria de ficar provada a corrupção ativa e/ou o tráfico de
influência em toda a plenitude”, alertou. A advogada sublinha que, além de
haver um agente envolvido, seria necessário demonstrar a busca por vantagens
não devidas. Ela destaca que, em casos anteriores de corrupção no desporto,
pode haver situações em que os atos não afetem a competitividade, o que poderia
evitar sanções severas.
Por
fim, a advogada refletiu sobre o papel contínuo de Rui Costa, presidente da SAD
do Benfica. Mesmo não sendo arguido, ele terá que defender a instituição
durante este processo. “Rui Costa, mesmo não sendo arguido, vai ser figura
ativa neste processo,” afirma. A advogada conclui com uma mensagem de
prudência: “Até agora há uma acusação como são feitas milhares todos os dias,
as pessoas não podem ser condenadas à partida.” Assim, ela apela à contenção
nos julgamentos, ressaltando que a presunção de inocência deve prevalecer até
que se prove o contrário.


0 Comentários